UTILIZAÇÃO DO CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL NA PRÁTICA CLÍNICA

UTILIZAÇÃO DO CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL NA PRÁTICA CLÍNICA

REVISTA: Nosso Clínico – medicina veterinária para animais de companhia
Ano 19 – nº109 – jan/fev 2016
SESSÃO: CARDIOLOGIA
AUTOR: PROF. DR. RONALDO JUN YAMATO – Sócio-proprietário da NAYA Especialidades – www.nayaespecialidades.com – [email protected]

UTILIZAÇÃO DO CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL NA PRÁTICA CLÍNICA

A mensuração da pressão arterial na prática clínica de pequenos animais tornou-se um importante meio de avaliação do sistema cardiovascular e essencial para o diagnóstico de quadros hipertensivos ou hipotensivos. Esta importante ferramenta de avaliação é também de grande valia no monitoramento de pacientes em terapia com diuréticos, vasodilatadores, reposição volêmica e ainda, aqueles pacientes com doença renal crônica ou endocrinopatias, tais como hiperadrenocorticismo, o “diabetes mellitus” e o hipertireoidismo.
Existem atualmente dois métodos para a mensuração da pressão arterial sistêmica, os invasivos e os não invasivos. Os métodos invasivos são representados principalmente pela cateterização da artéria femoral e o monitoramento através do cateter de “Swan Gans”; e os não invasivos, o método oscilométrico e o “Doppler” vascular, sendo este último o mais utilizado na rotina da clínica de pequenos animais

Hipertensão Arterial Sistêmica
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) em cães e gatos é definida como o aumento da pressão arterial (pressão arterial sistólica > 150 mmHg e pressão diastólica >_90 mmHg) que irá causar sequelas e manifestações clínicas. Fatores como a “síndrome do jaleco branco”, idade, sexo, raça e condição corpórea podem exercer influência sobre os valores obtidos na mensuração da pressão arterial (PA). Alguns procedimentos podem ser realizados para minimizar a influência da “síndrome do jaleco branco” tais como a ambientação do animal (5 a 10 minutos) na sala de atendimento e realizar a mensuração da PA antes de qualquer procedimento.
Podemos classificar as caudas da HAS em idiopática e secundária, sendo que mais de 80% são secundárias tais como insuficiência renal, endocrinopatias (hiperadrenocorticismo, “Diabetes Mellitus” e hipertireoidismo), cardiopatias e iatrogênica (corticoideterapia e administração de eritropoietina). A HAS idiopática apresenta ocorrência extremamente rara em cães e gatos.
Geralmente a HAS não apresenta manifestações clínicas, porém este quadro apresenta alto potencial em causar lesões irreversíveis em determinados órgãos, por este motivo o diagnóstico precoce da HAS é de extrema importância para a prevenção de lesões ou progressão de certas doenças. Os animais com HAS podem apresentar lesões em órgãos alvos (LOA) como os olhos, rins, cérebro e coração. Estas lesões podem ser imediatas ou tardias e na maioria dos casos, como anteriormente citado, irreversíveis. A HAS pode ainda, colaborar com a progressão de determinada doença como, por exemplo, a insuficiência renal. Dentre as principais manifestações clínicas da HAS podemos citar cegueira repentina, epistaxe, incoordenação motora e raramente a insuficiência cardíaca congestiva.
O tratamento da HAS deve seguir objetivos tais como diminuir a possibilidade de LOA, elaborar um esquema de controle da PA, buscar a causa da HAS e tratá-la, e procurar a redução gradual da PA. Deve-se salientar que o controle da HAS não significa a cura, por este motivo, o proprietário deve ser orientado a seguir um esquema de controle rigoroso da HAS através de mensurações periódicas da PA.
Quando valores de PA sistólica e diastólica forem maiores que 180 mmHg e 120 mmHg respectivamente, e manifestações clínicas da HAS (ex, alterações neurológicas, deslocamento de retina, etc…) estiverem presentes nos cães e gatos, estes devem ser tratados imediatamente, ou seja, devem ser considerados pacientes em situação de emergência. As medicações devem ser administras por via intravenosa e o monitoramento da PA constante.
Como anteriormente citado, as mensurações periódicas da PA são de fundamental importância para o controle da HAS e juntamente com este, deve-se também realizar exames laboratoriais (ureia, creatinina e exame de urna tipo I) e de fundo de olho para monitorar os riscos de LOA. Os animais com alto risco de LOA devem ser monitorados a cada 1 a 3 dias, alterações na terapia anti-hipertensiva os controles da PA devem ser realizados semanalmente e os pacientes considerados estáveis, os controles devem ser realizados a cada 1 a 4 meses.

Hipotensão Arterial Sistêmica

A hipotensão arterial sistêmica, tanto para cães como para gatos, deve ser considerada quando a pressão arterial sistólica encontrar-se menor que 80mmHg e a pressão arterial média menor que 60 mmHg, podendo apresentar como causas a redução na pré-carga (hipovolemia e diminuição do retorno venoso), diminuição do tônus vascular (septicemia, anafilaxia e medicamentosa) e disfunção cardíaca (cardiomiopatia, valvopatia, e arritmias).
As principais manifestações clínicas da hipotensão variam conforme a gravidade da lesão e a incluem a taquicardia, o pulso fraco, as mucosas pálidas, o tempo de preenchimento capilar aumentando, o estupor e a fraqueza. A hipotensão, geralmente está associada à diminuição do débito urinário, a taquipneia, a hipotermia e as extremidades frias.
O principal objetivo do tratamento da hipotensão é a reversão rápida do quadro para evitar o choque, insuficiência dos órgãos e a morte do animal. Isto consiste na identificação precoce da causa de base e posterior da doença.