Diabetes melitus: o controle glicêmico adequado

Diabetes melitus: o controle glicêmico adequado

Após iniciado o tratamento do diabetes mellitus (DM) (NOSSO CLÍNICO, edições 105 a 108), recomenda-se avaliações periódicas do paciente diabético. A terapia não deve ser direcionada única e exclusiva à glicemias individualizadas, ou seja, os ajustes na dose da insulina devem ser realizados com cautela, avaliando-se além da presença ou ausência das manifestações clínicas, as etapas do maneja e/ou aplicação da insulina, bem como a presença de doenças concomitantes ao DM.

Recomendo a avaliação periódica e presencial do paciente diabético e dos tutores. Glicemias pontuai e individualizadas não possibilitam determinar se a dose da insulina deverá ser mantida, aumentada ou diminuída. É preciso avaliar se o paciente está alerta, ativo ou prostrado, além do monitoramento do seu peso corpóreo (ganho excessivo ou perda de peso). A realização do exame físico do paciente é fundamental. A percepção dos tutores em relação ao tratamento é tão importante quanto os valores glicêmicos.

A ausência de adequado controle glicêmico pode estar relacionada a diversos fatores, entre eles, fatores humanos, fatores associados ao manejo da insulina e os fatores associados à doenças concomitantes.

 

Fatores humanos

O fato de pessoas diferentes administrarem a insulina ao mesmo paciente pode ser um dos motivos quando se verifica um controle inadequado. Nesta situação, é imprescindível a presença dos tutores no consultório veterinário para que possam acompanhar passo a passo como deve ser aplicada a insulina (NOSSO CLÍNICO, edição 107). O médico veterinário sabe quais as dificuldades, por isso é a pessoa mais indicada para este tipo de orientação.

Informações relativas à forma como o frasco é homogeneizado, as seringas utilizadas bem como a dose da insulina também devem ser verificadas.

A aplicação da insulina (por via subcutânea) bem como o correto local de aplicação influenciam na absorção da insulina e consequentemente na resposta terapêutica.

O alimento oferecido ao paciente deve ser de acordo com a prescrição nutricional realizada pelo médico veterinário, considerando-se as quantidades, se oferecidos ao paciente, podem prejudicar consideravelmente o controle glicêmico. O uso de ração coadjuvante para diabéticos não substitui a aplicação da insulina e também não substitui a avaliação do paciente pelo médico veterinário. Em algumas situações o paciente pode receber um alimento caseiro, e neste caso, a dieta deve ser formulada por médico veterinário especializado em nutrição e nutrição clínica.

O uso de medicamentos que contenham em sua formulação corticoide (tópico ou oral) pode promover um mau controle glicêmico do paciente diabético. Neste contexto, é fundamental orientar o tutor a não administrar nenhum medicamento sem a devida orientação do médico veterinário especializado em endocrinologia.

 

Fatores associados ao manejo da insulina

O armazenamento do frasco de insulina na geladeira deve ser na posição vertical, e protegido da luz. Não é recomendado colocar o frasco de insulina na porta da geladeira ou em local próximo ao congelador.

Deve-se verificar também a data de validade da insulina e a forma como a insulina foi transportada do local de compra para a residência do tutor – deve ser transportada em recipiente térmico e devidamente refrigerado.

É fundamental também verificar se o frasco da insulina não apresenta contaminações por erros/falhas durante a preparação da dose da insulina.

 

Fatores associados às doenças concomitantes

O paciente pode apresentar controle glicêmico adequado devido à presença de doenças concomitantes, como por exemplo, hiperadrenocorticismo canino, obesidade, pancreatite, insuficiência pancreática exócrina, hipertireoidismo felino, acremegalia felina. O diestro em cadelas é uma condição fisiológica que promove alterações no controle glicêmico do paciente diabético.