5 dicas para criar um negócio veterinário de sucesso

5 dicas para criar um negócio veterinário de sucesso

Empreender em um consultório ou clínica veterinária é um desafio que envolve uma série de decisões, planejamento e obstáculos, principalmente no começo da empreitada, quando a falta de experiência é maior. Estar à frente de cada processo – escolha da localização, definição do público-alvo, os serviços que serão oferecidos, as demandas que deverão ser atendidas – aumenta as chances de sucesso.

Conhecer a trajetória de outros profissionais pode servir como uma boa fonte de inspiração. Para isso, convidamos dois veterinários que superaram as dificuldades encontradas e se tornaram referência em suas regiões: a Dra. Míria Marinho, do HOSPVAM (Hospital Veterinário Amadeu Marinho), em Fortaleza, e o Dr. Reginaldo Bicudo, da Panvet (Pronto Atendimento Veterinário), em Cáceres, no Mato Grosso.

A seguir, eles relatam quais foram as decisões que ajudaram suas clínicas crescerem e quais foram as soluções encontradas para superar as adversidades.

Fique atento às oportunidades

Estar atento às necessidades e demandas do mercado e enxergar a carência de determinado serviço em uma região podem gerar boas oportunidades. No caso da localização, a escolha deve considerar fatores como o perfil do consumidor que pretende atingir, se o preço é compatível com sua capacidade de investimento, facilidade de acesso, etc.

Quando ainda servia o Exército como médico veterinário em Cáceres, no Mato Grosso, Reginaldo Bicudo percebeu que havia carência de clínicas dedicadas a animais de pequeno porte na cidade. “Vi que não tinha clínicas para animais pequenos em Cáceres. Me preocupava ver que os veterinários estavam sempre nas fazendas, então decidi abrir a Panvet (Pronto Atendimento Veterinário)”, conta. Ainda no Exército, procurou um terreno próximo ao Centro da cidade, com fácil acesso. Com os vencimentos recebidos do Exército ao final dos oito anos como oficial temporário, montou a Panvet. “No terreno tinha uma edícula. Fui morar lá e abri um consultório na parte da frente”, lembra.

No penúltimo ano de faculdade, Míria Marinho começou a trabalhar com animais de grande porte, no bairro de Amadeu Marinho, em Fortaleza. Quando decidiu investir no sonho de ter um hospital veterinário, ela escolheu o bairro para comprar um terreno de 500 metros, com a ajuda de um primo. “Já tinha alguns pacientes que moravam aqui, em sítios”, diz. No terreno, Míria construiu uma casa para morar nos fundos e, na frente, montou uma clínica, com recepção, um banheiro e duas salas, onde fazia consultas, cirurgia e internação.

Invista de acordo com a sua capacidade

Até estabelecer uma clientela ativa e uma rotina, os primeiros anos de clínica costumam ser os mais difíceis e exigem muita dedicação e foco do veterinário. Antes de dar o próximo passo, de investimento ou ampliação, além de planejamento, é preciso estar consolidado.

Nos primeiros seis anos, Míria trabalhou sozinha e só folgava uma vez por quinzena. Como não precisava pagar funcionários, tudo que ganhava, ela reinvestia na clínica. Hoje, sua clínica realiza cirurgia geral, internação, reprodução/obstetrícia e exames laboratoriais, além de atender nas especialidades de odontologia, cardiologia e medicina preventiva.

Reginaldo também trabalhou por cinco anos atendendo sozinho antes de chamar um amigo para trabalhar com ele. Seus três filhos seguiram a carreira veterinária e hoje trabalham com ele. “Éramos eu e um auxiliar, que fazíamos tudo, limpeza, atendimento e venda de alguns produtos, como vermífugo e ração. Me lembro até hoje da minha primeira compra: foram cinco sacos de ração”, conta.

Especialize-se para expandir

Com a relação cada vez mais próxima e humanizada entre pets e tutores, estes estão cada vez mais informados sobre os avanços da medicina veterinária e tendem a procurar atendimento especializado. Ao investir em especialização, o veterinário amplia a oferta de serviços em sua clínica e pode até se tornar uma referência na sua região.

Em 1996, Míria decidiu se especializar e veio a São Paulo fazer um curso de odontologia veterinária na USP. “Quando acabei o curso, o professor me falou: ‘odontologia é igual bicicleta. Se não treinar, não aprende’. Comprei uma bancada dentária e comecei a atuar. Fundei o primeiro consultório odontoveterinário do Norte-Nordeste, em 1997”, conta.

Em 2014, Míria fez um novo curso, de dois anos. “Foi um investimento alto. Viajei 26 vezes para me formar. Comprava passagens em 12 vezes.” A especialização de Míria gerou a oportunidade de expandir seus negócios. Há oito anos, ela abriu um consultório odontológico, o Odonto Pet Vet, no bairro Papicu, um dos mais nobres de Fortaleza. “Fiz isso por causa do marketing, porque muita gente não queria se deslocar até Amadeu Marinho.”

Aprenda a cuidar do seu negócio

A falta de preparação acadêmica para a gestão financeira, administrativa e comercial é um obstáculo recorrente nesta área. Pois, não basta ser um bom veterinário e não saber qual é faturamento da clínica, como está o estoque e qual é o custo com determinado serviço. Investir em cursos e MBA na área de gestão pode ajudar o veterinário na administração do dia a dia e até a planejar melhor uma futura expansão.

“A gente não aprende na faculdade a parte de gestão. Fiz um curso em São Paulo, que me ajudou muito”, conta Reginaldo. Graças à organização financeira, ele conseguiu aproveitar as oportunidades de expansão, quando elas surgiram. “Sempre deixei uma reserva financeira e, por isso, consegui comprar os terrenos vizinhos para expandir a Panvet. É difícil acumular capital, principalmente no início. Fui fazendo aos poucos, conforme podia fazer”, conta.

Laboratório agrega valor à consulta

A agilidade no diagnóstico permite aos veterinários prescrever melhores tratamentos e elevar a expectativa de vida dos animais de estimação. Muitas vezes, o tempo gasto para levar o pet a um laboratório, esperar o resultado e voltar à clínica pode levar dias e atrasar o início do tratamento. Sem contar que em algumas localidades não há laboratórios especializados em pets. Investir em um laboratório próprio, além de agilizar o tratamento, agrega valor à consulta.

“Em 2008, em uma feira em Maceió, vi um equipamento de análise hematológica que dava o resultado em 5 minutos. Na época, eu mandava os exames para laboratório humano e o resultado, muitas vezes, demorava. Comprei um equipamento e isso se tornou um diferencial porque o resultado sai na hora, o que nem em um médico tem essa rapidez. Depois investi em equipamento bioquímico e raios-X digital. Se fosse montar uma clínica hoje, já começaria com equipamentos porque isso agrega valor à consulta”, afirma Reginaldo.

“Em 2014, vi que estava gastando mais de R$ 2 mil por mês com exames. Além disso, os laboratórios não funcionavam de sábado e domingo. Primeiro comprei uma máquina de hemograma, depois comprei outros equipamentos – bioquímico, creatina, TGP, TGO e microscópio. Simplesmente melhorou o diagnóstico e a eficiência. Os pacientes ficaram satisfeitos porque o resultado é rápido e o início do tratamento também”, diz Míria.

Sustentabilidade é tendência no mercado

Incluir a sustentabilidade na rotina da clínica pode ser um importante diferencial competitivo, ao gerar boa imagem perante a sociedade e conquistar consumidores preocupados com o meio ambiente. A redução de custos também é outro benefício trazido por práticas de gestão sustentável.

“Em abril de 2015, levei um susto com a minha conta de luz, que deu R$ 6.717. Isso me acordou para a necessidade de investir em economia sustentável. Procurei o Sebrae, que me apresentou algumas oportunidades. Fiz um investimento de R$ 250 mil e hoje 90% da energia usada é solar. Minha conta caiu para R$ 90. Com a diferença, pago o financiamento”, conta Reginaldo.

A Panvet passou a ser referência em sustentabilidade no Brasil e recebe visitas de veterinários de outras partes do país – Rondônia, Pará, Fortaleza e Rio Grande do Sul – para conhecer o projeto. “Junto com as placas solares, colocamos dois reservatórios de 10 mil litros cada, que coletam água da chuva. No mês, gastamos, em média, 70 mil litros de água. Em épocas de chuva, o consumo cai pela metade”, diz o veterinário.

O mercado veterinário está em ascensão, mas para aproveitar essa onda é preciso se diferenciar e ter uma boa gestão. Esperamos que as dicas dadas por nossos parceiros tenham contribuído para dar ideias de como começar ou ampliar seu negócio.

Vamos juntos transformar o mercado veterinário.

Até mais,

Bio Brasil
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